Uma árvore jovem, plantada com amor, em poucos anos pode transformar-se numa selva selvagem de ramos entrelaçados, onde os frutos são superficiais e doentes.
A poda não é uma barbárie, mas uma linguagem de comunicação com a árvore, onde cada corte é uma frase que orienta os sucos vitais na direção certa, relata o correspondente de .
O princípio principal que deve ser aprendido de uma vez por todas: é necessário cortar não apenas tudo o que parece supérfluo, mas, em primeiro lugar, os ramos que crescem no interior da copa, que se cruzam, que roçam uns nos outros e os lobos – rebentos verticais gordos que nunca darão frutos.
A melhor altura para uma operação séria é o início da primavera, quando a geada já recuou, mas os botões ainda não incharam e a árvore está em estado de dormência. Nesta altura, todas as feridas terão tempo para sarar antes do início do movimento ativo da seiva e o jardineiro pode ver o esqueleto da árvore sem folhagem.
As ferramentas não devem ser apenas afiadas, mas perfeitamente afiadas e desinfectadas, porque um corte rasgado é uma porta aberta para infecções. Uma tesoura de poda para os ramos finos, uma serra de poda para os ramos grossos e uma geleia de jardinagem ou uma pasta especial para selar as feridas são indispensáveis.
A primeira poda começa imediatamente após a plantação, quando o condutor central é encurtado até uma altura de cerca de 80 centímetros para estimular o crescimento dos ramos esqueléticos laterais. Parece cruel, mas é assim que se estabelece a forma futura – taça, fileira ou fuso.
Não se deve rejuvenescer uma árvore velha e negligenciada numa só estação, caso contrário ela pode responder a esse stress com um crescimento exuberante de ramos ou simplesmente definhar. Alongue o processo ao longo de dois ou três anos, começando por desbastar o centro da copa e removendo os ramos maiores que não estão a crescer corretamente.
Após qualquer poda, a árvore precisa de apoio – rega e alimentação moderada – para concentrar as suas energias na cicatrização das feridas e na formação de novos rebentos frutíferos. Mas o excesso de azoto é perigoso neste caso, pois provocará um crescimento rápido da vegetação em detrimento da futura colheita.
A poda verde de verão – beliscar e podar – ajuda a corrigir a forma sem medidas radicais, especialmente para as culturas de caroço que não toleram bem a intervenção na primavera. Os rebentos jovens e moles são simplesmente arrancados com os dedos e a árvore quase não se apercebe do procedimento.
O mais difícil é ultrapassar a pena e compreender que, ao retirar um ramo, dá-se vida a uma dúzia de outros que vão receber mais luz e ar. Uma copa bem formada deixa passar os raios de sol para que iluminem todas as folhas e não apenas a parte superior.
A poda é um diálogo que se estende ao longo dos anos, onde se aprende a compreender o carácter, o vigor de crescimento e os hábitos de frutificação de cada árvore. Com o tempo, começará a ver não só os ramos, mas também os futuros rebentos e as ligações de frutos, e cada corte tornar-se-á consciente e preciso.
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